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Como será 2026? ACISC analisa cenário econômico e desafios para empresas 17/03/2026

Como será 2026? ACISC analisa cenário econômico e desafios para empresas

Levantamento do Núcleo de Economia da entidade aponta mercado de trabalho aquecido, mas alerta para crédito caro, inadimplência elevada e escassez de mão de obra qualificada

O Informativo Econômico da Associação Comercial e Industrial de São Carlos (ACISC), divulgado nesta segunda-feira (16), apresenta uma análise do cenário econômico para 2026 e aponta os principais desafios que devem impactar empresas, consumidores e o ambiente de negócios ao longo do ano.

De acordo com o Núcleo de Economia da ACISC, a conjuntura econômica é formada por indicadores, análises e expectativas que ajudam a projetar tendências futuras. Entretanto, essas interpretações podem variar de acordo com diferentes perspectivas, como o perfil dos consumidores, as expectativas dos empresários, o contexto político-eleitoral e o ambiente econômico internacional.

O estudo destaca que o mercado de trabalho deve continuar aquecido ao longo de 2026, impulsionado principalmente pelas intenções de consumo registradas em pesquisas das instituições ligadas ao comércio. Ainda assim, três fatores são considerados críticos para a economia neste momento: o custo elevado do crédito, o aumento da inadimplência e a influência de fatores externos e políticos nas expectativas empresariais.

Segundo os dados citados no levantamento, o percentual de operações de crédito com atraso superior a 90 dias em janeiro foi o maior para o primeiro mês do ano desde 2016. A situação preocupa, pois envolve tanto o crédito livre quanto o direcionado dentro do Sistema Financeiro Nacional.

Para a presidente da ACISC, Ivone Zanquim, o momento exige atenção e planejamento por parte dos empresários. “O comércio e os serviços seguem demonstrando capacidade de adaptação e resiliência, mas o cenário exige cautela. O crédito caro e o aumento da inadimplência impactam diretamente a capacidade de consumo das famílias e as decisões de investimento das empresas”, afirmou.

No campo microeconômico, o informativo aponta dois fatores decisivos para o desempenho das empresas: a discussão sobre a jornada de trabalho e a escassez de mão de obra qualificada. De acordo com entidades ligadas ao comércio, como a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP), a alta rotatividade e a falta de qualificação têm dificultado as contratações em diversos setores.

O economista do Núcleo Econômico da ACISC, Elton Casagrande, destaca que esses dois pontos devem influenciar diretamente o ritmo da atividade econômica nos próximos anos. “A discussão sobre a jornada de trabalho entrou na agenda política em pleno ciclo eleitoral, o que nem sempre é o ambiente mais adequado para um debate técnico sobre produtividade e desenvolvimento econômico”, avaliou.

Casagrande também ressaltou que a escassez de mão de obra qualificada revela um desafio estrutural do país relacionado à escolaridade e à formação profissional. Segundo ele, iniciativas como as faculdades de comércio, o Sistema S e programas de qualificação têm desempenhado papel importante na preparação de trabalhadores para o mercado.

Para Ivone Zanquim, o tema da formação profissional precisa ser tratado como prioridade no debate sobre desenvolvimento local. “A qualificação da mão de obra é essencial para o crescimento das empresas e para a geração de empregos. Esse é um assunto que precisa envolver o poder público, as instituições de ensino e as entidades empresariais, porque impacta diretamente o futuro da economia”, concluiu.